Curva na BR-376 é recordista em acidentes

Uma curva na BR-376, próximo à divisa entre Paraná e Santa Catarina, na altura do quilômetro 667, é conhecida pelos caminhoneiros como “curva amaldiçoada”, ou “curva da morte”. Isso porque a pista é inclinada, o asfalto é irregular e a curva é fechada, gerando vários acidentes no trecho. Imagens do sistema de monitoramento da concessionária Autopista Litoral Sul, que administra o trecho, mostram vários tombamentos de caminhões no trecho.

Pensando na segurança dos motoristas, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) lança a operação RodoVida, que intensifica a fiscalização em 16 pontos considerados críticos pelo número de acidentes. A ação é programa sempre em feriados prolongados, quando o fluxo nas rodovias é maior. Segundo o inspetor da PRF, Cristiano Mendonça, a maioria deles está em trechos urbanos.
Os trechos mais problemáticos estão na BR-376, em Maringá e Apucarana; na BR-476, em Campina Grande do Sul e Curitiba; na BR-116, em Antonina; e na BR-277, em Foz do Iguaçu. O Paraná lidera o ranking dos estados com mais pontos críticos. Em seguida fica Santa Catarina, com 12 pontos perigosos.



Senado aprova mudanças na Lei do Descanso, mas veta aumento de jornada de trabalho

Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira o projeto que flexibiliza o descanso obrigatório dos caminhoneiros de acordo com a Lei 12.619, de 2012. O PLC 41/2014 altera a Lei do Descanso e permite que o motorista possa dirigir por 5 e meia horas entre os descansos durante sua jornada de trabalho. No entanto, a proposta do projeto original de aumentar para 12 o máximo de horas trabalhadas durante um dia foi vetada, mantendo o padrão atual, de 10 horas (com duas horas extras). O projeto retorna agora para a Câmara dos Deputados e ainda pode ser alterado.
A alteração que aumenta o tempo de direção contínua era uma luta do setor de agronegócios, dada a distância das regiões produtoras, noCentro-Oeste, para os portos de escoamento dos grãos, em trechos que são muitas vezes superiores a 800 quilômetros. A nova regra também altera a logística para o descanso em regiões de pouca estrutura, dando mais tempo ao caminhoneiro para parar em local seguro.
O atual descanso obrigatório diário, de 11 horas a cada 24 horas, poderá ser fracionado, usufruído no veículo e coincidir com os intervalos de 30 minutos. O primeiro período, entretanto, deverá ser de 8 horas contínuas. A lei atual prevê pelo menos 9 horas contínuas de descanso.



Sistema eletrônico vai flagrar caminhões que fogem das balanças

caminhões - pesagem
A partir de agosto um sistema eletrônico vai flagrar os caminhões que circulam nas rodovias federais com excesso de peso. Principalmente os caminhoneiros que fogem da balança obrigatória. O novo equipamento já está sendo testado pela Polícia Rodoviária e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres.

As balanças funcionam do mesmo jeito há 60 anos nas rodovias federais. Caminhoneiros e empresas de transporte tiveram tempo de sobra para aprender a enganar o sistema. Só em uma balança da Via Dutra, 120 caminhões escapam diariamente da fiscalização.
Quanto mais peso no caminhão, mais dificuldade para dirigir e frear. Imagens cedidas pela Polícia Rodoviária Federal mostram quando motoristas perdendo o controle das carretas (vídeo abaixo). Segundo a ANTT, são 70 mil acidentes com caminhões por ano nas rodovias brasileiras.
O novo sistema lê a placa, manda a informação para o computador e a multa é aplicada na hora. “Praticamente instantâneo. Nós estamos usando tecnologia mais avançada pra fazer esse tipo de trabalho. A partir daí fazer autuação e seguir todo o processo até multar, recursos, recursos administrativos, recursos jurídicos, até o termino da operação”, explica o responsável pelo sistema Rômulo Cioffi.
O sistema também flagra a falta do registro nacional de transportes rodoviários de carga: a licença tirada a cada cinco anos que permite o tráfego por todo o país. Ele está em teste nas balanças da Via Dutra e já reduziu em 30% as fugas das balanças. O equipamento deve estar nas treze rodovias federais do país em agosto.



Sem acordo, votação de nova jornada para motoristas fica para a próxima semana

O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 41/2014, que amplia a jornada dos motoristas profissionais, dividiu a opinião dos senadores na quarta-feira (28) e acabou tendo sua votação adiada para a próxima semana. O PLC 41 altera a Lei 12.619/2012, conhecida como Lei do Descanso, em vigor há um ano e meio, para permitir jornada de oito horas, com duas horas extras.
No entanto, por convenção ou acordo coletivo, o período adicional pode chegar a quatro horas, levando a uma jornada total de 12 horas. Além disso, a cada seis horas ao volante, o motorista deverá descansar 30 minutos, porém esse tempo poderá ser fracionado. A lei atual exige descanso a cada quatro horas em viagens de longa distância.
A proposta ainda converte em advertência as multas previstas em lei para quem desrespeita as exigências de descanso durante a jornada e para caminhões com excesso de peso.
O senador Romero Jucá (PMDB-RR), designado como relator da matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), defendeu a votação já nesta quarta.
“Vários prefeitos e várias autoridades estaduais estão pedindo a votação urgente dessa matéria, porque, por exemplo, a cidade de Salvador enfrenta uma greve da categoria, exatamente por conta de uma definição da questão do horário de trabalho dos motoristas urbanos”, disse Jucá, argumentando que a matéria ainda poderia ser aperfeiçoada ao retornar à Câmara dos Deputados.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) afirmou que as articulações entre governo, oposição e lideranças da categoria garantiam um consenso mínimo para a votação da matéria.
Alvaro Dias (PSDB-PR) ressaltou que as empresas estariam sofrendo prejuízos e os motoristas obrigados a ficar parados nas rodovias ou em postos de combustíveis, para obedecerem às regras de descanso.
Mais debate
Outros senadores, porém, argumentaram que o tema ainda precisa ser mais debatido. Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) manifestou preocupação com a possibilidade de a jornada dos motoristas se estender até 12 horas. “A matéria diz respeito, diretamente, aos trabalhadores motoristas ou trabalhadoras motoristas, mas, indiretamente, diz respeito à vida, à vida daqueles que conduzem pessoas, à vida daqueles que conduzem cargas, mas que interferem com outras pessoas”, ponderou.
Também para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), além das questões trabalhistas, é preciso pensar na segurança das pessoas, com o possível aumento dos acidentes nas estradas, resultantes da elevação da jornada de trabalho e da redução do tempo de descanso dos motoristas.
A questão chegou a dividir os partidos. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), favorável a mais debates, disse que pediria verificação de quorum caso a votação ocorresse. Já o líder do partido no Congresso, José Pimentel (CE), e Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Casa Civil, manifestaram-se a favor da votação nesta quarta, citando o apoio de sindicatos.
Motoristas
Na semana passada, representantes de caminhoneiros reuniram-se com o presidente do Senado, Renan Calheiros, para pedir mais debates antes da votação. Eles temem que a ampliação da jornada leve ao aumento do número de acidentes e mortes nas rodovias.
Nesta terça (27), porém, representantes de cegonheiros (motoristas de carreta específica para o transporte de veículos) pediram a Renan a aprovação do projeto.
A matéria tramita em regime de urgência. Caso sofra modificações no Senado, volta à Câmara; se for aprovada com o mesmo texto, segue diretamente à sanção presidencial.