Nova lei suspende por 12 meses CNH de motoristas que obstruírem estradas


O Senado aprovou nesta quinta-feira (7), a Medida Provisória 699/2015, que aumenta a punição para quem obstruir deliberadamente uma via pública. A matéria foi editada pelo governo em novembro passado, em meio a paralisações de caminhoneiros País afora. A proposta, que passou em votação simbólica (sem registro nominal de votos), segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff.
A MP altera o Código de Trânsito Brasileiro e passa a prever que o condutor que usar veículo para, “deliberadamente, interromper, restringir ou perturbar a circulação na via” terá o direito de dirigir suspenso por 12 meses. Até então, as penas aplicadas aos infratores eram apenas o pagamento de multa e a remoção do veículo.
Além disso, a proposta aprovada estabelece ainda que o condutor ficará proibido de receber crédito para comprar veículos pelo período de 10 anos.



Mais de 200 caminhoneiros fecham entrada do Porto de Vila Velha

Um protesto de caminhoneiros, iniciado na manhã dessa quinta-feira (07), está fechando o Porto de Capuaba, emVila Velha. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) cerca de 250 caminhões estão parados na entrada do porto.
Os manifestantes não concordam com a nova cobrança de exames toxicológicos.  A lei entrou em vigor em março deste ano e determina que os exames toxicológicos sejam realizados previamente à admissão e por ocasião do desligamento do motorista com carteira de habilitação nas categorias C, D e E.
O objetivo é que o exame identifique o uso de substâncias psicoativas no organismo do motorista. O Governo Federal entende que os motoristas de caminhão sofrem mais acidentes fatais de trabalho, por causa de situações como excesso de jornada e uso indiscriminado de drogas lícitas e ilícitas.
Nas redes sociais, o grupo afirma que vai permanecer no local até às 21 horas desta quinta. O Folha Vitória tentou contato com o sindicato que representa a categoria, mas até o fechamento desta matéria, não houve retorno.



Mistura de biodiesel no óleo diesel passará para 8% até 2017

Aumento do índice de biodiesel no óleo comercializado no Brasil de 10% até 2019 abre oportunidades para agricultores e indústrias.

Em meio à grande confusão política instaurada em Brasília nas últimas semanas, a aprovação de um importante projeto de lei quase passou despercebido. Em vigor desde o dia 23 de março, o novo marco regulatório do biodiesel aumenta a mistura no óleo diesel vendido no país, diminui a necessidade de importação do combustível e abre portas para novos investimentos da indústria – que agora passa a mirar também mercados lá fora.

Pela nova lei, o índice de biodiesel no diesel fóssil passará dos atuais 7% para 8% até 2017; 9% até 2018; e 10% até 2019.

A mudança na regra é considerada um avanço por especialistas na área porque, além de garantir aumento na demanda pelo produto menos poluente, ao estipular datas dá previsibilidade a empresários do setor, permitindo planejamento de longo prazo. Nos últimos anos, boa parte da indústria nacional tem trabalhado com altos índices de capacidade ociosa.

– Em um primeiro momento a capacidade ociosa tende a ser ocupada. Mas conforme avança o percentual de mistura, incentiva a abertura de fábricas e a venda para o Exterior. Além disso, o marco regulatório permite ao país trabalhar com índices acima de 10%, sem a necessidade de uma nova lei – explica Daniel Furlan Amaral, analista da Associação Brasileira Indústrias Óleos Vegetais (Abiove).

Índice pode chegar a 15%

De acordo com o projeto, o percentual poderá alcançar até 15% nos anos seguintes, desde que sejam feitos testes em motores e haja aprovação do Conselho Nacional de Política Energética.

– Para o agricultor, é uma excelente notícia. Nós fizemos cálculos prévios na BSBios e percebemos que atualmente 16 milhões de toneladas de soja são processadas e o óleo destinado à produção. Mantendo estes mesmo percentuais, em 2019 serão 40 milhões no ano para poder atender à demanda.

É mais do que duplicar o processamento em três anos – afirma Erasmo Carlos Battistella, diretor-presidente da empresa BSBios e presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio).

Com a confirmação da ampliação do biodiesel no diesel, a unidade da Camera, em Ijuí, deve retomar as atividades no próximo ano. A planta que chegou a ser a terceira maior produtora de biodiesel do país em 2012, estava parada desde 2014.

– Na época da substituição do B-5 para o B-7 (percentual de mistura de 5% para 7%), quase dois anos atrás, houve uma animação geral com a expectativa de que ia aumentar bastante a procura. Mas com a crise – e a redução no consumo de diesel – todo mundo acabou um pouco frustrado. Agora,traz um novo ânimo para o mercado. Devemos voltar, mas com um volume de produção menor – conta o diretor da empresa, Roberto Kist.

Donizete Tokarski, diretor superintendente da União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), ressalta que a nova lei estipula apenas o prazo máximo para o aumento do percentual de mistura e que eventuais mudanças podem até ser antecipadas.

– Acredito que essa adaptação vai ocorrer antes disso. Não precisaremos chegar em 2019 para adotarmos o B-10. Não é loucura falar em adoção de B-15 em cinco anos – afirma.

Tributação é entrave para vendas externas


Aplaudida por ambientalistas e empresários do setor, o aumento da mistura do biodiesel no uso do diesel fóssil deve impulsionar o mercado doméstico nos próximos anos. Para conquistar território estrangeiro, no entanto, empresas brasileiras precisam vencer antes entraves tributários dentro de casa. 

Apesar da grande quantidade de matéria-prima disponível no país – a soja – indústrias perdem competitividade no cenário internacional com excesso de impostos.

– Temos um produto de qualidade, pesquisa de ponta, mas não conseguimos olhar para fora ainda. A Europa tem grande demanda pelo produto e insumos em quantidade insuficiente. Seria um cliente potencial – afirma Donizete Tokarski, diretor superintendente da União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio).

Um exemplo é a cobrança de ICMS sobre a soja, a principal matéria-prima. Para comprar grão de outros Estados, unidades de processamento são obrigadas a pagar 12% de imposto. Para fugir da cobrança, indústrias buscam alternativas como comprar de produtores situados na mesma unidade federativa onde as fábricas estão instaladas.

– Na Argentina, isso não existe. Não há cobrança de tributo entre as províncias. Lá,as fábricas, instaladas próximas ao porto para facilitar a exportação, podem comprar insumo de qualquer parte do país. Aqui, os principais produtores do grão não têm porto – afirma Fabio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove, referindo-se aos Estados do Centro-Oeste. 

Outro obstáculo enfrentado pelo setor é a demora para o ressarcimento de créditos de PIS e Cofins sobre biodiesel, estipulado em regra desde 2014. Previsto para ocorrer em poucos meses, o procedimento pode demorar um tempo bem maior devido à falta de pessoal na Receita Federal para executar o trabalho.

– A questão nesse caso é o tempo, que consome boa parte do capital de giro dessas empresas – afirma Trigueirinho.

O que é biodiesel: É um combustível derivado de fontes biológicas que pode ser usado em motores diesel ao invés do diesel derivado de petróleo. Pode ser extraído do milho, soja, linhaça, pinhão-manso, mamona,cana-de-açúcar, óleo de palma, esgoto, canola, restos de comida, dejetos animais e arroz, mas não são limitados a apenas essas fontes. No Brasil, mais da metade do biodiesel gerado vem do óleo de soja, enquanto a Europa privilegia o uso da canola e os Estados Unidos usam o milho em abundância.






Mais de 1.000 cegonheiros estão sem trabalho na região

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

A desaceleração do setor automotivo, além de prejudicar as montadoras, causa prejuízo para os cegonheiros. Somente no Grande ABC, mais de 1.000 trabalhadores do segmento estão sem trabalho, o que equivale a 28,5% dos cerca de 3.500 profissionais atuantes na região. Diante deste quadro, a categoria organizou na manhã de ontem protesto contra o atual momento de recessão econômica pelo qual o Brasil atravessa desde 2015.
Encabeçado pelo Sindicato Nacional dos Caminhoneiros, o movimento contou com a participação de mais de 500 caminhões cegonha, além do apoio de lideranças regionais, como o deputado estadual Orlando Morando (PSDB), que é presidente da Comissão de Transportes e Comunicações da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O comboio partiu da sede da entidade, situada na Estrada da Servidão, em São Bernardo, percorreu a Rodovia dos Imigrantes, a Avenida Tancredo Neves (em São Paulo), a Rodovia Anchieta e encerrou o protesto no próprio ponto de partida.
Conforme avançava pelo trajeto, a carreata ganhava apoio dos motoristas que trafegavam pelas vias. Apesar do grande volume de veículos, a organização do movimento permitiu a fluência do trânsito, registrando alguns pontos de tráfego mais intenso durante a passagem pela área urbana da Capital.
Durante o ato, os manifestantes gritavam palavras de ordem e exigiam incentivos do governo federal para que o setor automobilístico e os segmentos adjacentes voltem a crescer. Conforme o vice-presidente do sindicato, Jaime Ferreira dos Santos, os políticos precisam se unir para que o Brasil supere a crise. “Este não é um movimento nem de apoio nem contra ninguém. O que queremos é que eles (políticos) se entendam e voltem a investir no País, para que a indústria volte a produzir e a geração de empregos seja retomada. Não pode ficar do jeito que está.”
Somente no primeiro trimestre deste ano, a demanda dos cegonheiros caiu mais de 60%. Segundo Santos, a categoria se vê de mãos atadas no momento. “Nossos veículos possuem uma função específica, que é a do transporte de automóveis. Com esta queda de movimento, mal temos como pagar o frete e honrar nossos compromissos.”
As vendas de veículos caíram 28,6% de janeiro a março, na comparação com o mesmo período de 2015, maior retração desde 2006, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Motoristas relatam drama durante a crise

A queda de mais de 60% nas demandas aos cegonheiros, que costumam prestar serviço a grandes empresas do setor de logística, como Tegma, Brazul e Transauto, terceirizadas das montadoras, tem preocupado os trabalhadores da categoria. Com compromissos para honrar, muitos relatam que o valor ganho cobre apenas as despesas dos veículos.
Para alguns, o prejuízo é incalculável. Vários motoristas relatam a grande pressão vivida por conta da falta de serviço. É o caso do cegonheiro Renato Rebutini, 27 anos, que se vê obrigado a fazer bicos para pagar as contas. “Está sendo muito difícil. Só neste ano já perdi mais de R$ 100 mil. Estou precisando fazer trabalhos por fora para diminuir o prejuízo, mas não sei como será daqui para frente.”
Com poucos carros para transportar, o também cegonheiro Luiz Giglio, 43, vê as despesas só aumentarem. “Até o momento, já perdi mais de 60% dos meus ganhos. Se antes eu tirava R$ 10 mil por mês, agora recebo, no máximo, R$ 4.000. Mal consigo pagar a manutenção do caminhão, que é um equipamento caro. Espero que logo a situação melhore, pois, deste jeito, não vai dar.”

Morando critica momento político do País

A carreata dos cegonheiros em protesto ao momento de crise econômica vivido pelo Brasil foi acompanhada pelo deputado Orlando Morando, que elogiou a organização da categoria e ressaltou sua importância. “É um dos segmentos que mais sofrem com os cenários político e econômico do Brasil. Eles são responsáveis por transportar uma carga valiosa, que enriquece o País.”
Morando também exaltou a importância da região para a superação da recessão econômica. “É preciso defender a economia do Grande ABC. É nosso dever garantir a manutenção dos empregos nas montadoras.”
Para o vice-presidente do sindicato, Jaime Santos, medidas de incentivo às fabricantes seriam interessantes mas, antes, é preciso que a economia se recupere para que vagas sejam geradas, para criar ambiente propício às compras de carros. Inclusive, com taxas de juros menores.
Na visão do deputado, o clima de incertezas vivido no cenário político freia o crescimento do País. “Hoje, infelizmente, temos apenas uma pauta política, que é o impeachment. E enquanto isso não se resolve, outra pauta da mesma importância, que é a crise econômica, fica de lado, e por isso estamos afundando.”