A PRF (Polícia Rodoviária Federal) publicou, no DOU (Diário Oficial da União) desta segunda-feira (30), os dias e horários em que o tráfego de veículos de carga ficará restrito nas BRs. A medida vale para todas as rodovias federais de pista simples. Motoristas que não respeitarem a ordem serão multados em R$ 85,13 e somarão quatro pontos na carteira. A infração é média e o veículo somente poderá seguir viagem ao fim do período de restrição.
Conforme o chefe da divisão de fiscalização e trânsito da PRF, inspetor Airton Motti, a determinação decorre de estudos realizados sobre a infraestrutura nas rodovias e volume de tráfego. “Já há alguns anos, a Polícia Rodoviária tem essa prática de restringir a circulação de veículos de grande comprimento e de carga. É uma estratégia que funciona, porque, às vezes, tem polos de grande produção, com muita movimentação, e nessas regiões presenciamos acidentes graves”, explica.
Estão fora da medida, segundo a PRF, combinações de veículos com até duas unidades, sendo um caminhão-trator e um semirreboque ou um caminhão e um reboque.
De acordo com a portaria, para o próximo feriado, que é a Semana Santa, a medida valerá entre 16h e 24h do dia 2 de abril, quinta-feira, e das 6h às 12h do dia 3 de abril, sexta-feira, além do domingo, 5 de abril, entre 16h e 24h. No de Tiradentes, a restrição vigorará no dia 18 de abril, sábado, entre 6h e 12h, e no dia 21 de abril, terça-feira, das 16h às 24h.
Fiscalização na Semana Santa
A Polícia Rodoviária Federal já definiu a estratégia de fiscalização para o feriado de Semana Santa. O efetivo de agentes nas rodovias deve ser ampliado de 20% a 30%. Segundo o inspetor Airton Motti, apesar de esse ser um feriado menos violento, todo o aparato de logística – motocicletas e viaturas – radares e etilômetros estarão à disposição dos agentes e serão utilizados para potencializar a fiscalização.



Governo quer reduzir número de caminhões no Brasil


Com caminhões demais e mercadoria de menos, o governo começa a implementar neste ano uma política para diminuir a quantidade de veículos autorizados a fazer transporte de carga no país.
Todos os veículos registrados na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para fazer frete serão recadastrados e ganharão chip e adesivo para que possam ser fiscalizados automaticamente numa rede com cerca de 200 pontos de vistoria no país.
A partir de maio, os primeiros novos pontos de fiscalização estarão em teste no Rio Grande do Sul. Em junho, os primeiros caminhões devem ganhar o novo equipamento.
“Nossa intenção é tirar do sistema aquele que está cometendo irregularidades”, afirmou o diretor-geral da ANTT, Jorge Bastos.
Um enxugamento com aperto da fiscalização no transporte rodoviário de carga, que inflou nos últimos anos pela facilidade para a compra de caminhões novos e a queda na atividade econômica, é visto como ideal para reequilibrar o sistema.
Há, no entanto, pressão de caminhoneiros e empresas para que a solução para a queda no preço dos fretes seja maior regulação. Entre as propostas, estão a criação de uma tabela com valor mínimo de frete e vale-diesel.
Após a paralisação dos caminhoneiros que ocorreu no fim de fevereiro e no início deste mês, grupos de representantes do governo federal, empresários e caminhoneiros debatem o tema.
FROTA
O país tem 3,2 milhões de caminhões, dos quais quase metade está apta a fazer frete (pegar carga de outra empresa e levá-la ao destino). A outra metade pode operar apenas para a própria empresa, sem registro da ANTT.
Nos últimos cinco anos, incentivos diversos –de juros subsidiados a diesel barato– fizeram com que a frota aumentasse 24%.
Os caminhões novos entraram sem que os velhos saíssem, sobretudo quando os preços do frete subiam artificialmente, como quando o preço dos grãos explodiu.
A estimativa do economista Ricardo Gallo, da consultoria KonSCIO, é que o país tenha hoje um excedente de 300 mil caminhões.
O descasamento entre oferta e demanda achata o valor do frete e pesa principalmente sobre caminhoneiros autônomos (45% dos fretistas), que, para negociar, dependem de agenciadores – empresas que se responsabilizam pela documentação do transporte e chegam a ficar com 40% do valor do frete.
Outro problema é que, sem fiscalização, menos de 15% dos fretes têm o registro necessário na ANTT para garantir que o caminhoneiro receba, além do valor do transporte, verbas como pedágio.
Segundo dados do BNDES, o programa Procaminhoneiro, que recebia subsídios do Tesouro, financiou quase 70 mil veículos com R$ 11,7 bilhões desde 2007.
Essas operações são uma fração dos financiamentos e se concentram em grandes empresas. Por isso, o governo federal ainda não sabe o que fazer.
Procurada, a Fazenda não comentou o tema.



Caminhoneiros podem recomeçar bloqueio nas BRs nesta quinta-feira


O deputado Osmar Terra (PMDB-RS) disse nesta quarta-feira (11), durante sessão do Congresso Nacional, que os caminhoneiros retomam nesta quinta-feira o bloqueio das estradas em todo o País. Segundo ele, até agora o governo não cumpriu as promessas feitas para o término da manifestação passada.
Ele pediu ao Ministro da Secretaria Geral da Presidencia da República, Miguel Rosseto, que fez a negociação com a categoria que anuncie alguma medida nesta quinta-feira para impedir que o movimento se concretize. Para dar fim a manifestação passada foram aplicadaas multas de até R$ 10 mil reais a caminhoneiros parados.
Nesta segunda-feira (10), a Câmara aprovou projeto de lei anistiando os caminhoneiros das multas que foram aplicadas no período de 18 de fevereiro a 2 de março, por ocasião dos protestos. A proposta será agora apreciada pelo Senado Federal.
Fonte: Ceará Agora



A bolha dos caminhões: uma crise gerada em Brasília



A insatisfação dos caminhoneiros com o Governo, que tem aumentado a temperatura política e levado a bloqueios de estradas, não tem a ver só com o diesel mais caro.
A origem do mau humor na boleia é o filho indesejado de um erro de política econômica do Governo Dilma 1, que criou uma bolha de oferta no frete ao financiar caminhões novinhos a preços de carrinho de brinquedo.
O engenheiro Ricardo Gallo, que trabalhou 19 anos no BankBoston e hoje é um gestor independente, se debruçou sobre os números do setor. Ele comparou a expansão na oferta de caminhões com o aumento do PIB do setor de transportes nos últimos anos.
A conclusão: o crédito barato do BNDES gerou um excesso de oferta de quase 300 mil caminhões — 288 mil, para ser preciso, o que equivale ao número total de caminhões licenciados no País a cada dois anos.
Foi uma brincadeira cara. Foi um negócio grosseiro.
Através de um programa de crédito barato chamado PSI, lançado em 2009, o BNDES financiava 100% do valor de um caminhão e cobrava juros fixos de 7% ao ano, a serem pagos em oito anos.
Como a inflação, na época, rodava a 5,5%, o juro real que o banco cobrava — 1,5% — era um convite ao crime, incentivando os caminhoneiros (e até quem estava fora do mercado) a fazer o investimento.
A história econômica mostra que sempre que um banco central ou Governo faz o custo do dinheiro ser artificialmente barato, ele estimula investimentos que não teriam sido feitos sob circunstâncias normais, frequentemente causando bolhas.
Entre o final de 2002 e o de 2014, a frota brasileira de caminhões cresceu de 1,54 milhão de unidades para 2,588 milhões, ou 4,4% ao ano.
No período entre 2008 e 2014, ajudado pelo PSI, o crescimento foi ainda mais impressionante: 4,9% ao ano.
Mas enquanto o Governo pisava no acelerador do crédito barato, a economia pisava no freio.
O PIB do setor de transportes cresceu só 2,4% ao ano entre 2008 e 2014, em grande parte porque tanto a agricultura quanto a indústria, as maiores demandadoras de frete, sofriam os efeitos da crise de 2008.
Se a frota nacional de caminhões tivesse crescido apenas em linha com a desaceleração do PIB do setor ocorrida a partir de 2008 (ou seja, se o Governo não tivesse oferecido o ‘anabolizante’), Gallo estima que a expansão da frota teria sido de apenas 3% ao ano, e não os 4,9% observados.
Em outras palavras: se o Governo tivesse deixado as coisas como estavam, o País provavelmente teria hoje 2,3 milhões de caminhões, em vez dos 2,588 milhões atuais.
Essa oferta só será absorvida quando a economia voltar a crescer.
Considerando os níveis atuais de licenciamento e sucateamento da frota, Gallo projeta que o excesso ainda será de 250 mil caminhões no fim de 2016, ou seja, o excesso vai cair só 38 mil caminhões ao longo de dois anos.
O caso da bolha do frete mostra uma verdade com a qual os economistas lidam no dia a dia, mas que muitos brasileiros ainda desconhecem.
Para continuar pedalando a economia e bancar o discurso de que a crise global de 2008 seria apenas uma ‘marolinha’ no Brasil, o Governo criou uma bolha que saiu cara para o contribuinte e caríssima para os caminhoneiros, agora que a ‘marolinha’ deu lugar à enchente de caminhões.
“Essa mentalidade de que o Estado consegue controlar a economia — seja via preço ou via imposto — sempre dá nisso,” diz Gallo. “Não há capacidade de planejamento que substitua o planejamento do mercado.”
“A máquina estatal pode ser uma Ferrari, mas o Governo sempre vai fazer barbeiragem. E há pouca diferença entre os partidos. Pode ser que na mão do PT a Ferrari capote mais vezes, e que talvez o PSDB só jogue o carro na árvore. Mas a solução é diminuir o tamanho do Estado: em vez de botar uma Ferrari na mão dos políticos, dá pra eles um Cinquecento! Assim, o PT vai até tentar, mas não vai conseguir capotar, e se o PSDB meter o carro na árvore, fica barato consertar.”
Fonte: Revista Veja Texto de Geraldo Samor