Cresce número de multas por excesso de jornada

Fiscalizacao - excesso de jornada (2)O número de multas a motoristas de caminhões ou ônibus flagrados dirigindo sem parar por mais de quatro horas nas rodovias da região de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) cresceu 132% de janeiro a outubro deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.
Foram 79 autuações neste ano, contra as 34 de janeiro a outubro de 2013.
Segundo a Polícia Rodoviária, os profissionais contrariavam a Lei do Descanso, que estabelece limites de tempo para os condutores nas estradas.
No mesmo período, o número de mortes por acidentes em rodovias aumentou.
O comandante da Polícia Rodoviária na região, capitão Luiz Eduardo Ulian Junqueira, disse que os infratores colocaram vidas em risco, já que infringir a lei significa dirigir cansado, o que pode provocar perda de reflexos.
O desrespeito à lei pode ter sido uma das causas do acidente que deixou 13 pessoas mortas em Ibitinga (a 347 km de São Paulo) no mês passado, quando um ônibus e um caminhão bateram na rodovia Deputado Leônidas Pacheco Ferreira (SP-304).
As multas foram aplicadas em meio às discussões de flexibilização da Lei do Descanso, aprovada em maio de 2012 e que tem o objetivo de evitar que motoristas dirijam cansados pelas estradas do país.
A flexibilização se transformou em uma queda de braço entre entidades que representam motoristas e patrões.
A CNTTT (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres) diz, por exemplo, que é contra as mudanças na lei.
“Essas modificações, caso aprovadas, passarão a legalizar o sistema anterior de transporte, que mata mais de 40 mil pessoas por ano, colocando em risco a vida não só dos motoristas profissionais como também de usuários das vias”, disse o presidente Omar José Gomes, em nota.
Já o Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo) informou que enxerga as mudanças na lei como positivas, porque se “adapta à realidade do transporte brasileiro”.
Hoje o motorista dirige quatro horas e descansa 30 minutos, com 11 horas de intervalo após oito horas dirigidas.
Com a mudança, o motorista poderá dirigir até cinco horas e meia, com 30 minutos de descanso e outras oito horas de intervalo após oito horas de estrada.
O comandante da corporação disse que as fiscalizações aumentaram para diminuir o número de acidentes.
“Tem motorista que dirige embriagado, sob efeito de droga, tomando remédios para ficar acordado. Eles buscam percorrer a maior quilometragem em menos tempo.”
O presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Ribeirão e Região, Walter Gomes, disse que a polícia precisa multar mais.
“É muito pouco [o número de autuações]. A lei não pode ser modificada. Precisa ficar como está. Ela veio para salvar vidas”, afirmou.
Antonio Nelson Rodrigues da Silva, professor do departamento de engenharia de transportes da USP São Carlos (a 232 km de São Paulo), também disse que o número de multas é baixo e que a polícia enfrenta dificuldades de fiscalização por ter um contingente insuficiente.
Fiscalizacao - excesso de jornada (1)



Comissão da Câmara aprova permissão para dirigir com boletim de ocorrência após roubo de CNH

A Comissão de Viação e Transportes aprovou nesta quarta-feira (5) o Projeto de Lei 6415/13, que permite aos motoristas substituir a carteira nacional de habilitação (CNH) pelo boletim de ocorrência e o pedido de segunda via, em caso de perda ou roubo do documento. O boletim de ocorrência será válido por 30 dias contados da data de sua expedição.
Pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB – Lei 9.503/97), dirigir sem carteira constitui infração grave, punida com multa e apreensão do veículo. De acordo com o autor da proposta, deputado Giovani Cherini (PDT-RS), atualmente, mesmo quando o motorista é assaltado ou perde os documentos, fica sujeito ao rigor da lei.
O parecer do relator, deputado Milton Monti (PR-SP), foi favorável à proposta. “Na hipótese de perda, extravio, furto ou roubo da CNH, o condutor fica impossibilitado de dirigir até que seja expedida uma segunda via, o que pode demorar vários dias”, disse.
“Assim, além do transtorno de ficar sem os documentos e de eventuais prejuízos, a pessoa ainda fica impossibilitada de usufruir de seu veículo, o que, em alguns casos, significa não poder exercer atividade profissional”, completou.
Tramitação
O projeto ainda será analisado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta: PL-6415/2013



Sest Senat financia 60 mil carteiras de motorista para o setor de transporte


Os projetos CNH Social e Habilitação Profissional  para o Transporte – Inserção de Novos Motoristas, desenvolvidos pelo Sest Senat, vão contribuir para a atração de 60 mil novos motoristas profissionais ao mercado, a partir de 2015. 

A iniciativa, proposta pelo presidente da CNT e do Sest Senat, Clésio Andrade, tem como objetivo suprir a demanda do setor, que hoje é de cerca de 100 mil profissionais, para atuar tanto na área de cargas como na de passageiros.
O Sest Senat vai custear todas as etapas para os motoristas trocarem a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) para as categorias C, D e E. Também não terão custo nenhum os jovens que não possuem CNH e querem tirar a 1ª habilitação, como uma primeira medida para atuar nesse setor. 
Em 2015, a mudança gratuita de categoria deve ocorrer para 30 mil motoristas e outros 30 mil terão sua primeira habilitação também gratuitamente.
“Os projetos contribuem  para aumentar as possibilidades de emprego e renda para essas pessoas e para disponibilizar mais motoristas profissionais no país. Queremos atrair o jovem para essa profissão tão importante e despertar o interesse naquelas pessoas que já dirigem”, diz Clésio Andrade. O Sest Senat vai investir R$ 140 milhões nos dois projetos, nos próximos seis meses.
Mais informações em http://www.sestsenat.org.br/



Ataques de fúria e agressividade no trânsito podem ser sinal de doença

Ataques de fúria tem se tornado comuns no trânsito de nosso país. Só nos últimos dias, foram vários flagrantes pelo país. Na disputa pelo espaço no asfalto, explosões de fúria são cada vez mais comuns e provocam cenas assustadoras. Ataques de agressividade podem ser sinal de doença.
Confusão em Manaus. Depois de um acidente leve entre um caminhão e um micro-ônibus, os dois motoristas saem dos veículos e se agridem até a polícia chegar. Em Fortaleza, o motorista de uma camionete ameaça o da van. E acerta um tapa nele. Na saída de um bar, em Curitiba, a motorista bate no carro que está à frente do dela.
Depois, bloqueia o trânsito. O rapaz que dirigia o carro revida, batendo com um cone no carro da mulher. Ela sai, chuta o carro do agressor, quando ele tenta ir embora. Depois, é empurrada e cai no chão.
E mais um flagrante no estacionamento de um shopping no Recife. Os três homens discutem por causa de uma vaga. O de camisa branca entra no carro. E dá ré com tudo. Por pouco, não atropela as outras duas pessoas.
Em São Paulo, a cidade com a maior frota do país – e os maiores engarrafamentos, todos os dias motoristas tentam se segurar. Alguns não conseguem.
“Sair, xingar. Sair do carro para discutir verbalmente. Acontece não que você queira, mas é uma coisa explosiva”, explica um motorista.
“O cara fechou meu carro ele desceu, meio pitboy, e chutou o carro, mas ele ficou louco, ele quebrou a frente do carro. Eu fiquei assistindo e nem peguei o celular pra filmar, de tão chocante que foi a cena”, lembra uma mulher.
Eu não parto pra violência. Eu fico só xingando mesmo. Me deixa mais tranquilo”, diz outro motorista.

Um pedestre gravou uma confusão numa avenida movimentada. Uma batida leve entre dois carros terminou em agressão.
Os especialistas dizem que os motoristas que perdem o controle com facilidade podem explodir em qualquer situação. Até mesmo nas mais banais, como um congestionamento, numa cidade como São Paulo, que acontece o dia todo.
Uma travessia de um pedestre fora da faixa ou um motociclista que passa buzinando. Nestas situações, um motorista explosivo pode tomar pequenas infrações como uma ofensa pessoal.
A psicóloga do Hospital das Clínicas de São Paulo diz que o estresse e a irritação por causa do trânsito ruim nas grandes cidades são normais. Mas os motoristas que reagem com violência podem ter um transtorno que precisa de tratamento.
“O paciente que tem o transtorno explosivo sente a raiva e vai pra cima. Mas não é uma pessoa que fala assim: amanhã eu vou lá e vou quebrar a cara dele. Não, é no imediato. É falta do controle do impulso”, diz a psicóloga Liliana Seger.
Há quem encontre no próprio trânsito a terapia para ter paciência. “É duro. Se não for a música, não tem quem aguente aqui. É ruim demais”, diz um motorista. “Relaxa, não dá pra perder a paciência, ou você bate no carro da frente”, diz outro.
O Hospital das Clínicas tem um setor especializado para estudar e tratar esse transtorno explosivo intermitente.
Para ver um vídeo sobre o assunto, CLIQUE AQUI.