Caminhoneiros fazem bloqueios em 7 estados e afetam abastecimento

Gasolina é vendida a R$ 5 no PR; empresa de alimentos parou produção.
AGU entra com ações para liberar estradas e pede multa para bloqueios.

Filas se formaram nos postos de combustível de Pato Branco (Foto: Dan Jaeger Vendruscolo)

O protesto dos caminhoneiros que bloquearam rodovias do país devido à alta do preço dos combustíveis e os valores dos fretes, considerados baixos pela categoria, foi ampliado ao longo desta segunda-feira (23). No fim da tarde, ao menos sete estados já registravam pontos de lentidão e congestionamentos: GO, MG, MS, MT, PR, RS e SC.

A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou nesta segunda ações na Justiça Federal dos sete estados para que seja determinada a liberação de rodovias bloqueadas. Nas ações, a AGU pede que a Justiça conceda liminar (decisão provisória) para que as estradas sejam desbloqueadas e imponha uma multa de R$ 100 mil por cada hora em que a decisão for descumprida.

Os bloqueios já afetam o abastecimento em algumas regiões. No Paraná, cidades enfrentam falta de combustíveis, e a gasolina chegou a ser vendida a R$ 5 em Pato Branco. Na cidade também há registro de atrasos na entrega de medicamentos.

No mesmo estado, onde a paralisação começou no dia 13 de fevereiro, a BRF, que detém as marcas Sadia e Perdigão, anunciou nesta segunda que parou a produção em duas fábricas por falta de aves e a empresa diz que isso afeta "todo o ciclo de produção, desde a produção de ração animal até a distribuição de seus produtos pelo país e exterior."

Em Santa Catarina, a distribuição do leite produzido foi afetada por conta das manifestações e está 100% interrompida pela falta de transporte. A agroindústria Aurora Alimentos, que fica no Oeste do estado, disse que vai paralisar as atividades na terça-feira (24) devido ao bloqueio do transporte de suas matérias-primas.

Em Minas Gerais, a Fiat teve a produção de veículos afetada, pois os componentes usados na montagem de veículos não foram entregues. Em Mato Grosso, o óleo diesel também acabou em distribuidora no Norte do estado por causa dos bloqueios nas rodovias.

Perecíveis e cargas vivas

Os caminhoneiros, no entanto, afirmaram nesta segunda que liberaram a passagem de transportadores de alimentos "perecíveis" e de "cargas vivas" (frango e boi, por exemplo) no trecho da BR-376 em Marialva, no norte do Paraná.

"Pedimos às empresas que tenham bom senso e não liberem os caminhões com cargas não perecíveis agora, para evitar confusão e colaborar com o movimento", disse Ademir Cavalaro, que participa das manifestações.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que é uma das entidades que representam os caminhoneiros no país, divulgou nota dizendo que está "ciente das manifestações e bloqueios em rodovias federais e estaduais pelo país" e que "solicitou uma reunião com os ministérios para tratar das reivindicações, especialmente para tratar do aumento do combustível".

A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) disse não concordar com a mobilização dos caminhoneiros.

“Os transportadores estão contabilizando prejuízos e pedem medidas urgentes do governo federal, no entanto não compactuam com o movimento dos caminhoneiros, pois bloquear vias não é a melhor maneira de protestar", afirmou o presidente da federação, Sérgio Malucelli.

MG

Protesto de caminhoneiros fecha parte da rodovia Fernão Dias (Foto: Moisés Silva/O Tempo/Estadão Conteúdo)
A Fernão Dias, principal ligação entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, tinha 17 km de lentidão na região da Grande Belo Horizonte às 20h15, no sentido São Paulo. Já quem trafegava em direção à capital mineira enfrentava 8 km de congestionamento.

"Nós não temos condições de pagar o óleo (diesel) a R$ 2,75. Nesses últimos três meses, o petróleo subindo, subindo e o frete lá embaixo", disse o caminhoneiro Juarez Ananias, que participa do protesto.

No início da noite, caminhoneiros começaram a protestar na BR-040, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, segundo a Polícia Rodoviária Federal. A manifestação ocorre na altura do km 558, no sentido Rio de Janeiro, e ainda não há informações sobre congestionamentos. Já em Contagem, o ato foi no sentido Sete Lagoas, altura do km 523. A PRF, às 20h15, não informava sobre interdições e congestionamentos no trecho.

O protesto desta segunda também afetou a produção de veículos na Fiat. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, em Betim, também na Região Metropolitana, funcionários do 2º e 3º turnos – tarde, noite e madrugada – da linha de produção foram dispensados. Ainda segundo a Fiat, por causa do ato de caminhoneiros, componentes usados na montagem de veículos não foram entregues.

Também havia pontos de interdição perto de Oliveira, na Região Centro-Oeste, e em Perdões e Santo Antônio do Amparo, ambas no Sul do estado. Nestas cidades, os bloqueios ocorrem desde a noite de domingo.

PR
Na região de Cascavel, no oeste, caminhoneiros bloqueiam a BR-277 próximo ao Trevo Cataratas, desde as 10h desta segunda-feira (23) (Foto: PRF / Divulgação)No Paraná, 33 trechos de rodovias permaneciam bloqueados na noite desta segunda entre as cidades de Cascavel, Curitiba e Guarapuava. Os manifestantes estavam impedindo os caminhões de passarem, mas liberavam os demais veículos, como carros de passeio e de emergência. Os protestos ocorrem desde o dia 13 no estado.

Por causa dos bloqueios, alguns postos de combustíveis do sudoeste e do oeste do Paraná já enfrentam desabastecimento e em alguns, que ainda tinham combustível, o litro da gasolina atingiu a casa dos R$ 5.

Há registro de atrasos na entrega de medicamentos e duas fábricas da BRF interromperam a produção de aves porque não estão conseguindo transportar os produtos nas cidades de Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, no sudoeste.

Devido à manifestação, a prefeitura de Santo Antônio do Sudoeste, no sudoeste do estado, cancelou as aulas nas escolas municipais e interrompeu os serviços de limpeza na cidade.

Além de criticar os preços dos combustíveis, a categoria no Paraná pede a fixação do frete por quilômetro rodado e a carência de seis meses a um ano para os financiamento de veículos de carga, entre outras reivindicações.

SC
Em Santa Catarina, os protestos ocorrem desde quarta-feira (18). Na noite desta segunda, os caminhoneiros continuavam bloqueando 14 pontos em seis rodovias.

A Polícia Rodoviária Federal informou que vai enviar reforços aos locais, a fim de evitar abusos. "A nossa preocupação é porque ontem [domingo] houve alguns abusos. Houve bloqueios, ataques a caminhoneiros, acidentes, pessoas que ficaram presas", explicou o chefe da Comunicação da PRF, Luiz Graziano.

Os manifestantes pedem a queda no preço do diesel e melhores condições nas rodovias da região. Por causa dos bloqueios, o Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindileito) alerta que a coleta de leite no estado pode ser 100% interrompida.

A agroindústria Aurora Alimentos afirmou que vai paralisar sua produção na terça-feira (24), já que "faltam insumos e embalagens nas Indústrias, combustíveis para a frota, espaço para armazenagem".

RS
Caminhoneiros protestam em quatro rodovias do RS (Foto: Divulgação/PRF)

No Rio Grande do Sul, doze pontos de rodovias federais e outros vinte pontos de rodovias estaduais foram bloqueados na tarde desta segunda.

Alguns caminhoneiros colocaram fogo em pneus no acostamento da estrada. Eles criticam os valores dos combustíveis e dos pedágios e a tributação no transporte de cargas.

Veículos pesados estão sendo orientados a parar, mas a passagem é liberada para automóveis de passeio. As manifestações ocorrem de forma pacífica.

O maior frigorífico de suínos do estado afirmou que vai suspender o abate por falta de matérias-primas, e granjas ficaram sem ração para animais.

MT
Os caminhoneiros de Mato Grosso bloqueavam trechos das duas principais rodovias do estado, as BRs 163 e 364, por volta das 19h30. Eles tentam impedir, há quase uma semana, que os veículos de cargas façam o escoamento da produção agrícola.

Na manhã desta segunda, havia cinco trechos de interdição, e o terminal ferroviário de Rondonópolis já registrava queda no número de descarregamentos, segundo a empresa que administra o local.

O sindicalista Wilson Júnior Samoro disse que houve queda de mais de 20% no valor do frete e, com o custo alto, os motoristas só estão trabalhando para cobrir as despesas.

Os caminhões com combustíveis seguem presos em bloqueios e, como consequência, o óleo diesel chegou a acabar em distribuidora no Norte do estado.

MS
Protesto dos caminhoneiros na BR-163 em Dourados (Foto: Liziane Zarpelon/ TV Morena)
Dois trechos da BR-163, em Dourados e em Fátima do Sul, Mato Grosso do Sul, ficaram bloqueados até o fim da tarde desta segunda e foram liberados no começo da noite.

Na região de Fátima do Sul, o congestionamento totalizou cerca de 600 metros, considerando os dois sentidos da pista. Já na região de Dourados, houve um congestionamento de aproximadamente 2 km.

Segundo os policiais, a manifestação foi pacífica e não teve tumultos. No trecho, apenas carros, ônibus, ambulâncias e caminhões com cargas vivas eram autorizados a seguir viagem.

GO
Após sete horas de bloqueio, caminhoneiros liberaram o tráfego na BR-364, em Jataí, no sudoeste de Goiás, no inicio da noite.

A rodovia é uma das principais rotas de escoamento de grãos e liga Goiás ao Mato Grosso. A manifestação reuniu cerca de 50 motoristas e, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), houve momentos tensos, pois alguns condutores, embora não tivessem escolha, eram obrigados a interromper a viagem.

Bloqueio parcial dos caminhoneiros causou lentidão no trânsito na BR-369, em Arapongas (Foto: Alberto D'Angele/RPC)

Fonte.



GREVE: Caminhoneiros e transportadores bloqueiam trechos de rodovias em sete Estados

greve dos caminhoneiros
Caminhoneiros e transportadores bloquearam nesta segunda-feira, 23, trechos de rodovias em sete Estados – Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Os manifestantes protestam contra o aumento do preço do diesel e as tarifas de frete abaixo dos custos de transporte. A mobilização começou na última quinta-feira (19). Na manhã desta segunda-feira, caminhoneiros também fizeram protestos na rodovia Fernão Dias, em São Paulo.
Em Mato Grosso, são cinco pontos de interdição na BR-163, importante via de escoamento da produção agrícola brasileira, informou nesta Segunda-feira a concessionária Rota do Oeste, responsável pela rodovia desde o ano passado.
Há bloqueios nos quilômetros 306, em Cuiabá, 122, em Rondonópolis, 593, em Nova Mutum, 686, em Lucas do Rio Verde, e 745, em Sorriso. Nos dois primeiros pontos, o fluxo foi liberado no horário de almoço, mas às 13h voltou a ser interrompido. Há registros de congestionamento em todos os pontos onde as manifestações estão ocorrendo, informou a concessionária.
Segundo a Rota do Oeste, passavam pelo bloqueio apenas ambulâncias, veículos de passeio, ônibus e caminhões com cargas vivas ou perecíveis. A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT) informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que existia preocupação entre produtores no fim da semana passada sobre acesso a combustíveis para colheitadeiras, mas, como alguns trechos tiveram passagem liberada no fim de semana passado, o abastecimento foi normalizado.
No Paraná, são 12 os trechos bloqueados, em quatro rodovias diferentes. Na BR-163, o fluxo foi interrompido nos quilômetros 32, em Santo Antônio do Sudoeste, 64, em Pérola d’Oeste, 86, em Capanema, 284 e 289, em Marechal Cândido Rondon. Na BR-376, foram interditados os quilômetros 137, em Paranavaí, 187, em Marialva, 245, em Apucarana, e 295, em Mauá da Serra. Na BR-277, a passagem foi bloqueada nos quilômetros 452, em Laranjeiras do Sul, e 338, em Guarapuava. Na BR-369, a interrupção ocorre no quilômetro 179, em Arapongas.



Governo diz que não pode reduzir diesel “da noite para o dia”


O secretário de Estado de Fazenda (Sefaz), Paulo Brustolin, afirmou, nesta última quinta-feira (19), que não tem poder para reduzir a alíquota do ICMS sobre o óleo diesel “da noite para o dia”. Atualmente, o imposto estadual representa 17% do preço do combustível.
A redução da alíquota para 12% é uma das exigências feitas pelos caminhoneiros, empresários do setor de transportes e produtores rurais que bloqueiam quatro pontos da BR-163, no Norte de Mato Grosso, desde quarta-feira (18).
Nos locais podem transitar apenas caminhões com cargas vivas, carros de passeio, ônibus e ambulâncias.
De acordo com o secretário Brustolin, um estudo técnico sobre a viabilidade e impacto da redução da alíquota nas contas estaduais já está sendo realizado pela secretaria. No entanto, não há prazo de quando esse estudo será concluído e se, de fato, ele apontará para a redução do ICMS.
“A Secretaria de Fazenda realiza um estudo técnico sobre todo o setor de combustível em Mato Grosso, e não apenas do óleo diesel. Um estudo dessa magnitude não pode ser feito da noite para o dia, pois causaria um grande impacto nas contas do Estado”, disse.
Já sobre a possibilidade da elaboração de uma tabela fixa para a cobrança do frete baseada na Lista de Preços Mínimos de Fretes instituída pela Sefaz, outra exigência dos empresários do transporte, o secretário afirmou que não tem poder de interferir na lei de mercado.
“A Sefaz não pode interferir na lei de mercado e o Governo do Estado já contribui com o setor, publicando uma lista com valores referenciais”, disse Brustolin.
Apesar da negativa em atender de imediato ambos as exigências dos empresários do transporte, o secretário garantiu que o Governo está aberto a negociações.
“Hoje, existe esse espaço para discussão e a maior preocupação da Sefaz é com o funcionamento do Estado de Mato Grosso”, afirmou.
Uma reunião entre os caminhoneiros e o governador Pedro Taques (PDT) já teria sido confirmada com a categoria, conforme Miguel Mendes, diretor executivo da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC).
O encontro é vital para a liberação dos trechos bloqueados cuja interdição total está prevista para ocorrer caso não haja posição favorável do Governo.
Bloqueio
O bloqueio atinge 80% do escoamento da produção agrícola do Estado e acontece no KM 745, na região de Sorriso (420 km ao Norte de Cuiabá), no KM 686 em Lucas do Rio Verde (354 km) e no KM 593 em Nova Mutum (264 km).
Já os caminhoneiros de Sinop (500 km ao Norte) aderiram ao movimento no final da manhã desta quinta-feira (19), e trecho KM 854 de Sinop a Santarém (PA) está bloqueado assim como o trecho no KM 854 da rodovia.
Os municípios de Tangará da Serra e Campo Novo dos Parecis, no Noroeste do Estado, estão com o transporte de cargas parado há mais de 10 dias.
Por enquanto, os empresários do transporte realizam o bloqueio das 8h às 11h, sendo retomado das 13h e segue até às 18h. Situação semelhante ocorreu na quarta-feira (18).
As principais transportadoras do Estado já estão orientando os caminhoneiros a não seguirem para região Médio-Norte.
Fonte: Midia News



Câmara mantém ampliação de jornada máxima de caminhoneiro para 12 horas


O Plenário da Câmara rejeitou uma emenda do PCdoB à Lei dos Caminhoneiros (PL 4246/12) que tentava reduzir a jornada de trabalho dos motoristas para, no máximo, 8 horas. Com isso, fica mantido o texto que autoriza até 12 horas de trabalho, incluindo as horas extras. Os deputados concluíram a análise do projeto, que seguirá para sanção presidencial.
O deputado Valdir Colatto (PMDB-SC) afirmou que a jornada aprovada foi tema de acordo com todas as centrais sindicais e sindicatos que representam os caminhoneiros.
Pela proposta, a jornada de trabalho é de 8 horas, com a possibilidade de duas horas extras. Se houver acordo com o sindicato, a jornada poderá ser estendida por mais duas horas, chegando a 12 horas de trabalho.
O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) ressaltou que a jornada máxima nos Estados Unidos é de 11 horas, e chega a 14 horas na Europa.