Caminhoneiros encerram protesto em rodovia de MT depois de 4 dias

Motoristas e moradores pedem duplicação da Rodovia dos Imigrantes.
Governo diz que processo de federalização está em fase de conclusão.

 

Após quatro dias, o grupo de caminhoneiros, empresários e moradores que fazia um protesto na MT-407, conhecida como Rodovia dos Imigrantes, em Várzea Grande, encerrou a manifestação e o bloqueio na região, na madrugada desta quinta-feira (4). A informação foi confirmada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) que monitora o o entroncamento das rodovias que também tiveram o tráfego comprometido pelo movimento.


O protesto começou na segunda-feira (1º) junto com a manifestação de outros caminhoneiros na BR-364, saída de Cuiabá para Rondonópolis. Empresários, moradores e caminhoneiros mobilizaram o protesto em prol da duplicação e federalização da Rodovia dos Imigrantes.

Um dos representantes do movimento, o empresário Fabrício Margreicer, disse que membros do governo se reuniram com os manifestantes na quarta-feira (3) e apresentaram a conclusão de um estudo técnico sobre a federalização da Rodovia dos Imigrantes.

“Eles se comprometeram a fazer uma regularização junto ao Dnit sobre a federalização, em um prazo de 60 dias. Eles também afirmaram que será feito um trabalho de recuperação dos 28 quilômetros da rodovia para tapar os buracos da pista”, disse ao G1.

A PRF pede paciência aos motoristas e outros condutores que vão passar pela região, pois o fluxo de veículos da rodovia ainda está comprometivo, já que existe a demora no deslocamento das diversas carretas e caminhões.

Durante o protesto, os veículos ficaram estacionados nas margens da rodovia e também em postos de combustíveis. Apenas carros oficiais, ambulâncias, ônibus de viagens e veículos com cargas perecíveis puderam seguir viagem ao passar na rodovia ao decorrer da manifestação.

A rodovia tem 28 quilômetros de extensão entre o entroncamento com as BR-070, BR-163 e BR-364 em Cuiabá e é o ponto conhecido como 'Trevo do Lagarto', em Várzea Grande. A Secretaria Estadual de Transporte e Pavimentação Urbana (Septu) informou, por meio de nota, que o processo de federalização da rodovia está em fase de conclusão.

O secretario da Septu, Cinézio de Oliveira, disse que o estado pretende agilizar o processo de passar a responsabilidade da rodovia para o Governo Federal.

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PF investiga influência de empresas na greve dos caminhoneiros

Suspeita é de que o movimento seja um locaute, uma paralisação coordenada por empresários do setor de transportes.

 

A Polícia Federal vai investigar se houve influência de empresas nos protestos de caminhoneiros em estradas. O número de bloqueios foi menor, nesse terceiro dia.

Os caminhoneiros bloquearam rodovias federais e estaduais em seis estados. Durante o dia, algumas estradas foram liberadas, entre elas, a Fernão Dias, que liga Minas Gerais a São Paulo.

O Ministério da Justiça determinou que a Polícia Federal abra inquérito para investigar a greve dos caminhoneiros. A suspeita é de que o movimento seja um locaute, uma paralisação coordenada por empresários do setor de transportes.

“O Governo não vai tolerar a prática de crimes ou a prática de abusos por quem quer que seja”, afirmou o ministro José Eduardo Cardozo.

O Governo diz ter indícios de que o Movimento União Brasil caminhoneiro seja o responsável pelo locaute. O movimento já foi multado pela Justiça, que também bloqueou os bens do presidente da entidade, Nélio Botelho.

Segundo a Advocacia-Geral da União, Botelho também é presidente da Cobrascam, cooperativa de motoristas autônomos, que tem 39 contratos com a Petrobras, no valor de R$ 4 milhões por mês.

Nélio disse que a cooperativa tem, no máximo, 16 contratos e negou as acusações de locaute. Ele reafirmou as reivindicações do setor: redução do pedágio, mais subsídio para o óleo diesel e modificações na lei dos caminhoneiros.

“O governo não aceita negociar. Colocou ponto final nas negociações. Não abriu nem diálogo mais. É a única forma de nós nos salvarmos”, disse o presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro.

Hoje uma comissão especial da Câmara aprovou mudanças na lei dos caminhoneiros, entre elas: o descanso entre uma jornada e outra, que cairia de 11h para oito horas interruptas, outras três horas podem ser divididas ao longo do dia.

Numa cerimônia no Palácio do Planalto, a presidente Dilma disse que o governo não negocia com um movimento que atrapalha a atividade econômica e a vida das pessoas.

“O meu governo não ficará quieto perante processos de interrupção de rodovias. Porque, também na nossa bandeira tem a palavra ordem. E ordem, significa democracia. Mas significa respeito às condições da produção, da circulação e da vida da população brasileira”, afirmou a presidente.

A Petrobras não se manifestou sobre os contratos com a Cobrascam. No fim do dia, só continuavam bloqueadas uma rodovia estadual no Paraná e outra em Mato Grosso. 





BR-242 é liberada por caminhoneiros após três dias de protestos na Bahia

Situada no oeste, trecho próximo a Barreiras e Luís Eduardo foi bloqueado.
Caminhoneiros mantêm a BR-116, no sudoeste da Bahia, ainda interditada.

 

O trecho da BR-242, bloqueado há três dias em um protesto nacional de caminhoneiros, foi liberado na tarde desta quarta-feira (3), segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Por volta das 18h30, o fluxo de veículos começou a ser normalizado.

 

A rodovia está localizada na região oeste e foi interditada na altura das cidades de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. O caso foi contornado após uma liminar judicial ter sido expedida, informou a PRF.
Na BR-116, próximo de Vitória da Conquista e Cândido Sales, região sudoeste da Bahia, os caminhoneiros mantêm a paralisação até por volta das 18h. A PRF negocia a liberação. O grupo autoriza a passagem para carros de passeios e ônibus interestaduais e intermunicipais.

O protesto foi iniciado na segunda-feira (1°). Os trabalhadores pedem melhores condições de trabalho e reclamam da falta de assistência nas rodovias. Eles também cobram melhoria das condições das estradas baianas e dos preços cobrados nos pedágios.

Segundo a PRF, a situação é tensa próxima à Cândido Sales, porque alguns caminhoneiros querem desistir da paralisação, mas outros não liberaram a passagem. A PRF tenta negociar com os caminhoneiros, mas não há acordo até o início da noite.

Protestos
Na terça-feira (2), segundo dia de protestos, cargas perecíveis transportadas pelos motoristas começaram a estragar. Um dos motoristas parados na região sudoeste da Bahia, de prenome Brumo, transporta camarão, mas o gelo que conserva a mercadoria já derretia. Ele, que saiu de Fortaleza (CE), estava parado na manifestação a10 km de Vitória da Conquista, na 116.

O congestionamento na região de Cândido Sales, onde outro trecho da BR-116 que está interditado, faz com que motoristas evitem trafegar pelo local e se concentrem no posto da PRF ou até mesmo em postos de combustível.
 
A passagem de carros, ônibus e veículos de emergência, como ambulâncias e viaturas, foi liberada pelos manifestantes. Os caminhões só têm a passagem permitida pelos manifestantes se estiverem transportando cargas vivas. 

A passagem de carros, ônibus e veículos de emergência, como ambulâncias e viaturas, foi liberada pelos manifestantes. Os caminhões só têm a passagem permitida pelos manifestantes se estiverem transportando cargas vivas. 
O gerente de uma empresa de ônibus diz que os passageiros enfrentam atrasos nas viagens para Minas Gerais e Rio de Janeiro.
"Nós estamos avisando aos nossos clientes que está tendo um atraso de duas, três horas lá em Cândido Sales. Nós estamos com três carros presos na manifestação", contabiliza Carlos Alberto Nonato, gerente da empresa.
Alguns motoristas usaram caminhos alternativos. "Foi o jeito, o pessoal interditou o trânsito todo em Cândido Sales, aí tive que entrar por Encruzilhada, terra de chão, 28 Km para sair aqui em Vitória da Conquista", afirmou Júnior Arcanjo, contador.

"Não estamos impedindo ninguém do direito de ir e vir, as únicas pessoas que estão paradas aqui são caminhoneiros. Nós reivindicando nossos direitos", disse um dos manifestantes.

Região oeste
Na BR-242, região oeste da Bahia, os manifestantes se concentraram nos kms 805, perto de Barreiras, e 880, próximo a Luís Eduardo Magalhães.
Foram mais de 35 horas de protesto e o congestionamento, na terça-feira, chegou aos 15 km. Segundo os caminhoneiros, são mais de 900 veículos, entre caminhões e carretas na pista.

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Associações de caminhoneiros dizem não colaborar com bloqueios

Ministro da Justiça pediu que PF abra inquérito para investigar paralisações.
Movimento responsável por convocar protestos negou a prática de locaute.

 

Associações ligadas aos caminhoneiros ouvidas pelo G1 dizem ser contra as manifestações que têm bloqueado rodovias no país desde o início da semana. As entidades consideram a pauta de reivindicações mais favorável às empresas que aos caminhoneiros, mas afirmam, no entanto, não ter conhecimento do envolvimento do setor patronal nos protestos.

Nesta quarta-feira (3), o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou que a Polícia Federal abra inquérito policial em razão das suspeitas de locaute nos bloqueios das estradas em diversos estados. O locaute consiste em manifestação provocada pelo setor empresarial.

"Parece que a pauta do protesto convocado pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro está travestida para apoiar um projeto de lei que interessa bem mais aos empresários do que aos caminhoneiros autônomos, como o retorno da carta frete e a extinção do tempo limite de direção", afirma Cleverson Kaimoto, diretor da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT), entidade ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), também afirma não concordar com o movimento encabeçado pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC). "O povo brasileiro está assistindo a mais um movimento organizado por pseudos representantes de caminhoneiros", declara a entidade, em nota.

O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), Nélio Botelho, afirmou nesta quarta-feira que o governo o trata como "bode expiatório". Ao G1, Botelho afirmou que não é empresário, mas sim presidente de uma cooperativa de motoristas, a Cooperativa Brasileira dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Cobrascam). Ele negou a prática de locaute.

"Em função da gravidade da situação nas rodovias, o governo está querendo pegar alguém como bode expiatório. Sou transportador autônomo, proprietário de um único veículo, membro da diretoria de uma coopertativa de transporte de carga. É uma empresa comercial, mas sem fins lucrativos. Essa informação de que estou comentendo locaute é absurda. Estão querendo um bode expiatório, dizendo que sou empresário", disse Nélio Botelho.

O site oficial do MUBC tem a convocação para que caminhoneiros apoiem as reinvindicações com uma paralisação de 72 horas que iniciou na segunda-feira (1) e deve durar até as 6h de quinta-feira (4). Os objetivos da entidade são, principalmente, a redução do preço do diesel e dos pedágios e a aprovação de um projeto de lei que altera a 12619/12 (Lei do Motorista), definindo, entre outras coisas, o cartão frete e mudanças no horário de trabalho da categoria.

Outra organização de caminhoneiros do país, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) também diz não colaborar com as paralisações em rodovias. "De forma nenhuma somos contra reivindicações justas, mas isso tem de ser feito parado em casa, sem badernas", afirma Claudinei Natal Pelegrini, presidente da Abcam.

Divergências
Entre as associações existem divergências sobre as origens dos protestos. "Esse movimento é dos autônomos, que estão reclamando seus direitos. Se tiver patrão envolvido no meio pede totalmente o foco dos protestos. Pelo que eu saiba, não tem patrão envolvido. Mas como as greves se estendem pelo país inteiro não dá para saber exatamente quem está envolvido em cada um dos estados", explica Benedito Pantalhão, presidente da Antrac.

Sem trabalhar desde o dia 26, o caminhoneiro autônomo Claudinei Oliveira diz ter organizado manifestações com colegas, sem a intervenção de lideranças. "Marcamos por redes sociais", diz Oliveira, que participou da paralisação da Rodovia Castello Branco, em São Paulo. "Eles não nos representam (o MUBC). Nunca lutaram pela classe, mas se vier para somar, tudo bem", afirma o autônomo, que não é ligado a nenhuma associação.

Reivindicações
Entre as solicitações feitas nos protestos estão a diminuição ou isenção de pedágios, além da redução do preço do diesel. No entanto, existem também reivindicações específicas para cada estado e cidade. "O pedágio poderia ser liberado das 22h às 4h, ou ter metade do preço, em São Paulo, assim resolveria o problema do trânsito", diz o caminhoneiro autônomo Claudinei Oliveira.

Para a Antrac, também é necessário isenções nos pedágios. "Que o terceiro eixo continue sem pagar, porque não está consumindo asfalto. O governador de São Paulo resolveu suspender o aumento do pedágio, mas quer cobrar o terceiro eixo suspenso também. Somos contrários a essa cobrança", diz o presidente da entidade, Benedito Pantalhão.

Para a Abcam, algumas das propostas não são favoráveis aos caminhoneiros. "A isenção da tarifa do pedágio só interessa ao transportador", diz Claudinei Pelegrini, presidente da organização.

"Estamos em constantes conversas com o governo. É preciso pegar as leis que existem e fazerem acontecer. Por lei, o pedágio tem de ser pago pela transportadora ou embarcadora", acrescenta Pelegrini.

A divergência de propostas também é compartilhada pela CNTA. "Não estamos participando efetivamente das manifestações. Estamos reunidos com o governo para analisar nossas propostas, pois não concordamos com as reivindicações do movimento que convocou para os protestos, são diferentes das nossas", afirma Cleverson Kaimoto, da CNTA.

 

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