Apreensões de rebites aumentam em 1076% em rodovias

anfetaminas - policia

Para viajar por longas horas e entregar a mercadoria em tempo recorde, muitos caminhoneiros recorrem às anfetaminas, embora o uso desta substância seja proibido pela legislação. Esta prática se tornou tão recorrente no Tocantins que os dados de apreensões no início deste ano já superaram os de 2014. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, no ano passado foram apreendidos 199 comprimidos de rebites. Neste ano, até a última segunda-feira (27), as apreensões chegaram a 2.342. O aumento representa 1076,88%.
Os dados mostram que no ano passado apenas 10 motoristas foram flagrados nesta situação, enquanto que nestes primeiros meses o número chega a 62, um aumento considerável de 520%.
De acordo com a PRF, o aumento no número de flagrantes coincide com a implantação do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pelos agentes da PRF, no final de outubro do ano passado, o que possibilitou o atendimento das ocorrências no próprio local dos fatos e a economia de tempo. “Antes, nós realizávamos as apreensões na base da PRF e tínhamos que ir até as delegacias para realizarmos a confecção do TCO”, explicou o responsável pelo núcleo de comunicação da PRF, Edilez Brito.
Quando os flagrantes eram feitos em Palmeiras do Tocantins, onde se concentra 48,39% das ocorrências do estado, os policiais precisavam ir até a delegacia de Tocantinópolis para registrar a ocorrência. Uma distância de 45 km. “De certa maneira, a burocracia influenciava no nosso trabalho”, explicou Edilez. Além disso, o aumento de flagrante se deve às ações de capacitação específicas para o enfrentamento deste tipo de crime, segundo o policial.
Alucinações e irresponsabilidade
Também chamadas de bolinhas, rebites e arrebites, as anfetaminas são perigosas para os motoristas, mesmo aqueles que se dizem experientes e acostumados a trafegar pelas rodovias. Elas são substâncias psicoativas que afetam o comportamento do ser humano.
De acordo com o psiquiatra Leonardo Baldaçara, as anfetaminas podem causar vários efeitos colaterais como alucinações, perda de controle da atividade psicomotora e atrofiamento do cérebro, sendo este último provocado pela perda de neurônios. “Além desses sintomas, as anfeminas causam dependência crônica, arritmia cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC) e até um avançado grau de ansiedade nos usuários”, explica.
Ainda segundo o psiquiatra, em algumas pessoas essas substâncias podem não fazer o efeito desejado, mas mesmo assim, apresentar os efeitos colaterais relatados.
Um caso que foi registrado no início deste mês de abril chamou a atenção. Um caminhoneiro foi flagrado pela PRF sofrendo fortes alucinações, confusão mental e conversas desconexas. Ele disse que estava sendo ameaçado por uma pessoa que estaria debaixo do caminhão.
A polícia fez buscas no local, não encontrou ninguém, mas achou dentro do veículo 135 comprimidos de anfetaminas. Questionado se havia ingerido rebite, ele confessou que havia tomado dois comprimidos durante o almoço. Ele foi autuado por posse de drogas e o caminhão ficou retido na PRF.
No ano passado, o condutor de um caminhão cegonha foi flagrado dirigindo por 21 horas ininterruptas. O caso chamou a atenção da PRF, já que no momento da autuação, o caminhoneiro de 39 anos tentou subornar os policiais com R$ 300. O flagrante foi na BR-153, em Paraíso do Tocantins. O homem também estava trafegando à noite, fora do horário permitido.
No veículo dele foi encontrada uma cartela de anfetaminas com 15 comprimidos, sendo que nove já haviam sido consumidos. Foram lavrados três autos de infrações: dirigir fora do horário permitido, dirigir sob influência de substância que cause dependência e por dirigir sem observar o descanso obrigatório por ele. Ele foi detido e recebeu uma multa de R$ 2.128,22.  O caminhão cegonha saiu de São Paulo transportando veículos que seriam entregues para concessionárias do Tocantins e do Pará.
Penas
Os condutores flagrados nestas situações são penalizados conforme a Lei nº 11.343 de 23 de agosto de 2006. Se ele for autuado por posse de anfetaminas, o condutor assume o compromisso de comparecer, em data previamente definida, no Juizado Especial Criminal da Comarca onde ocorreu a apreensão da droga. O autuado fica sujeito às penas que vão desde a advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade e medidas de comparecimento a programas e cursos educativos sobre o efeito nocivo das drogas.
Fonte: TV Anhanguera



42% dos motoristas profissionais têm mais de 20 anos de habilitação


Levantamento do Detran/RS feito para este Dia do Trabalho apontou que 42% dos condutores com registro de atividade remunerada no prontuário da CNH tem mais de 20 anos de habilitação. No total, são 666,5 mil condutores aptos a trabalhar com o veículo, o que representa 15% do cadastro de condutores do Estado. Destes, 282,7 mil têm mais de 20 anos de experiência ao volante. Outros 31% têm entre 10 e 20 anos de habilitação.
O estudo inclui condutores de todas as categorias. São motofretistas, taxistas, caminhoneiros, motoristas de ônibus, microônibus, tratoristas. Atualmente, o Detran/RS possui o registro de 342.795 veículos de placa vermelha (categoria aluguel, o que engloba o transporte de cargas e passageiros), entre eles 133,7 mil caminhões, 15,7 mil automóveis, 28,2 mil ônibus e 11,2 mil motocicletas.
A categoria de condutores profissionais é predominantemente masculina. Somente 4% são mulheres. Esse percentual representa apenas 29.719 mulheres dirigindo profissionalmente no Estado. Os condutores que exercem atividade remunerada com o veículo distribuem-se entre as mais variadas faixas etárias, mas 77% estão entre os 26 e 55 anos.
Mesmo com maior exposição no trânsito (muito mais tempo dirigindo do que a média do condutor que não exerce atividade remunerada), o percentual de infrações cometidas pelos condutores profissionais não é muito maior do que a sua participação no cadastro de condutores: 19% das infrações com condutores identificados em 2014 foram cometidas por profissionais, grupo que representa 15% do total de condutores. Em primeiro lugar no ranking das infrações mais cometidas está o excesso de velocidade. Foram 123 mil autuações pelo Artigo 218 do Código de Trânsito Brasileiro em 2014.
Ainda inexiste o refinamento estatístico sobre o envolvimento de motoristas profissionais em acidentes no Rio Grande do Sul, mas o número de caminhões e ônibus envolvidos em ocorrências com vítimas fatais preocupa o Detran/RS. Estudo divulgado recentemente em evento que reuniu as entidades representativas das categorias profissionais, apontou que 24% dos acidentes que resultam em vítimas fatais tinham pelo menos um caminhão envolvido. No evento, o Detran/RS apresentou uma série de propostas para enfrentar esse problema, que afeta, principalmente, os condutores profissionais (autônomos ou empregados).
“É preciso que toda a sociedade se envolva na solução do problema. Formação e qualificação desse profissional do volante andam de mãos dadas com a fiscalização do tempo de trabalho e das condições desses motoristas. Mas é preciso olhar também para os condutores não profissionais. Se os caminhões estão envolvidos em grande parte dos acidentes com vítimas fatais é porque eles estão muitos expostos nas rodovias. E um acidente com um veículo pesado sempre é mais violento. Mas não quer dizer, necessariamente, que eles foram provocados pelo motorista do caminhão”, analisou o diretor-geral do Detran/RS, Ildo Mário Szinvelski.



Recessão agrava a situação dos caminhoneiros


De acordo com a Federação de Caminhoneiros de São Paulo, o valor do frete diminuiu 37% nos últimos cinco meses, fato que acarretou dificuldades ao setor. Só em Campinas, interior de São Paulo, na última sexta-feira (24), havia 50 caminhões e carretas parados em um dos pátios da Rodovia Dom Pedro I.
Muitos caminhoneiros se recusavam a realizar serviços em razão dos baixos valores de fretes, argumentando que esses não remuneram nem mesmo o custo de combustível. Segundo o professor de Logística da Universidade Mackenzie Campinas, Mauro Roberto Schlüter, o agravamento da situação ocorre devido à falta de gestão das transportadoras.
“Na medida em que as transportadoras captam mais cargas que a capacidade de transporte da sua frota própria, contratam os caminhoneiros autônomos. Ocorre que o valor pago aos serviços prestados pelos caminhoneiros autônomos segue a lógica das leis de mercado. Isto significa que se existe mais carga a ser transportada do que oferta de veículos, os preços sobem e o contrário é verdadeiro” – explica.
Para o professor, a recessão da demanda por bens de consumo diminui a produção dos componentes industrializados pelas cadeias produtivas e como consequência existe uma redução brutal do transporte de cargas das empresas que integram essas cadeias.
“A evidência pode ser constatada visualmente nos postos de combustíveis das estradas do país. Uma legião de caminhoneiros sem ter um valor digno para os seus serviços, lotam os pátios dos postos de combustíveis a espera de um valor melhor dos seus serviços. Infelizmente este cenário tende a persistir a médio prazo e os reflexos podem ser percebidos por meio dos sinais de novas paralisações dos caminhoneiros que estão por vir” – afirma.
O especialista acredita que a solução do cenário passa inevitavelmente por um ajuste no valor dos serviços executados pelos caminhoneiros, sendo o governo parte fundamental no processo decisório. Ele argumenta, que caso isso não ocorra, outras paralisações ocorrerão com maior frequência, não apenas em Campinas, mas também em outras cidades do país.



Governo corta 40% do orçamento do Ministério dos Transportes


Dono de um dos maiores orçamentos da administração federal, o Ministério dos Transportes está trabalhando com um cenário de corte de até 40% nas despesas discricionárias, que incluem custeio da gestão e investimentos. Se considerada a previsão de R$ 15,27 bilhões registrada no Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2015, a “tesourada” pode passar dos R$ 6 bilhões, o que vai obrigar a pasta a adiar dezenas de obras em todo o país.
Na tarde da sexta-feira, uma numerosa equipe do ministério se reuniu com representantes da Casa Civil da Presidência da República. O objetivo era apresentar as obras prioritárias da pasta para 2015 e definir o que terá condições de ser feito e o que será empurrado para o ano que vem. Antes mesmo do encontro, no entanto, o sentimento era de que apenas obras que estão em andamento fazem parte da negociação, ou seja, não haverá caixa para novos projetos.
Foi apurado que pelo menos 30 obras que estavam previstas para este ano serão colocadas em “banho-maria”. “Não faz sentido o governo se comprometer com coisas que não teremos condições de tocar e que vão ficar se arrastando”, disse uma pessoa que participou da reunião. A mesma lista de prioridades discutida na Casa Civil foi apresentada no sábado à presidente Dilma Rousseff pelo ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues.
O ajuste fiscal no Ministério dos Transportes deverá ficar entre 30% e 40%, mas a palavra final será dos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa. Informações de bastidores apontam que o decreto que determinará o contingenciamento deve ser publicado até quarta-feira da semana que vem.
No Ministério dos Transportes, será dada prioridade às obras que estão perto de serem concluídas e àquelas que o governo entender que “geram valor” para a economia nacional. Estão nesse grupo projetos como a conclusão da duplicação da BR-163, importante corredor para escoamento da produção de grãos da região Centro-Oeste. Uma parte da obra, que foi concedida à iniciativa privada, ficou sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e terá que seguir adiante.
Também integram a relação de prioridades da pasta a conclusão das duplicações da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, e da BR-116 entre Guaíba (RS) e Pelotas (RS). Além delas os acessos aos portos de Miritituba (PA) e Pecém (CE), bem como o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, são vistos como fundamentais.
Entre os cerca de 30 projetos que terão que esperar está, por exemplo, a pavimentação da BR-419, no Mato Grosso do Sul. A obra vai ser incluída na terceira versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 3), mas o projeto vai chegar, no máximo, às fases de planejamento, estudos, licença ambiental e, talvez, contratação para execução em 2016. O ministério guarda a sete chaves a lista completa das obras barradas, a fim de evitar reações políticas.
Com a certeza de que o dinheiro será curto neste ano, a expectativa é que as concessões ajudem a ampliar o volume de obras rodoviárias no país. O governo tem quatro lotes com estudos avançados e pretende encomendar projetos para outros trechos. Entre os que estão sendo considerados estão as duplicações das rodovias: BR 101-RS, BR 280-SC, BR 470-SC, BR 251-MG e BR 365-MG.
Para ferrovias, o veto de Levy ao modelo pelo qual o Tesouro Nacional dá garantias bilionárias às concessionárias colocou o programa em compasso de espera. A discussão mais adiantada visa a concessão de lotes da Ferrovia Norte-Sul que estão sendo construídos pela estatal Valec.
Para o trecho entre Ouro Verde (GO) e Estrela D’Oeste (SP), a expectativa é que seja adotado um modelo misto, pelo qual uma parcela da capacidade de carga será concedida mediante pagamento de outorga e a outra parte ficará disponível para que as empresas interessadas possam usar os trilhos após pagarem uma tarifa pré-estabelecida.